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SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 8

Aproximadamente 15 minutos depois eu terminei de contar tudo aquilo que estava até então só em minhas lembranças e mesmo quase formada em psicologia me impressionei como foi aliviante colocar para fora aquelas memórias ruins. Eu estava mais calma, não porque minha situação tinha melhorado de alguma forma, mas porque eu expus a ferida e aparentemente a simples exposição já possui poder analgésico.         - Você sabe que alguns dados não batem né? - Disse ele depois de pensar em silêncio durante uns 4 minutos após minha história.        - Eu não sei de nada, Ricardo. Achei que pudésse me ajudar nisso também.        - Pra começar o motivo da morte do seu tio não foi traumatismo craniano ou algo relacionado à pancada na cabeça. Ele foi morto com uma facada no coração...        - Igual à um porco... - As palavras simplesmente saíram da minha boca. Eu tinha falado sobre aquilo no telefone com a Gess antes de ...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 7

Cof Cof Cof Cof Cof               Minha garganta ainda sentia o gosto do líquido branco. O gosto, a textura e as consequências. Eu bebia água o tempo todo. Durante o trajeto bebi uma garrafa inteira de dois litros que um policial gentil me ofereceu. Gentileza nesse caso era não me xingar. Minha cabeça fazia círculos tentando resolver aquele embaraço, como eu tinha parado naquela situação? Quem tinha algum interesse em me ferrar? Quem se beneficiaria com minha prisão? Eram muitas perguntas a serem respondidas, mas a maior de todas, quem era cúmplice do Mariano? De todas as acusações, talvez eu já tivesse resposta para uma. O maior traficante da região era nada menos que o próprio Mariano. Enquanto namoravamos ele sempre gostava de ir nos lugares mais caros, pagar para todos os amigos e eu não entendia como o dinheiro dele dava conta, afinal ele era apenas um sócio de uma pizzaria que nem era a melhor da cidade. Pra ser bem sincera, eu nunca pedia p...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 6

Enfim chegamos na delegacia. Não sei quanto tempo eu dormi depois do que ocorreu com o Mariano, mas foi suficiente para eu me tornar uma celebridade. Repórteres, câmeras e muitas pessoas na porta. - Kamila, há quanto tempo você estava tendo um caso com seu tio? - Perguntou uma repórter enfiando o microfone na minha cara. Caso com meu tio? Oi? Senhor, o que estava acontecendo? Do que estavam me acusando afinal? Agora eu era amante dele? - Kamila, é verdade que você planejava matar o restante da sua família para ficar com a herança? Eu ainda não tinha saído do camburão e não sabia se conseguiria. Estava muito tonta, muitas vozes, muitas pessoas e muita informação. Eu nem sabia que minha família tinha herança. Aquilo era só um sonho ruim, tinha que ser. -Desce logo - uma mão me puxou para fora do carro. Caí. Minhas pernas não tinham força, por alguns instantes eu esqueci como andar. Levantei. Fui empurrada porta adentro e de repente tudo se calou. O único som ali eram dos meus ...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 5

Eu tentei dizer que a culpa não era minha. Mas eu não sabia exatamente pelo o que estavam me prendendo, seria o assassinato do meu tio? Seria pelo pacote de cocaína aos meus pés? - Porque estão me prendendo? O que foi que eu fiz? - Homicídio qualificado, formação de quadrilha, tráfico de drogas, furto e extorsão. Tem mais alguma coisa que eu esqueci , senhorita? Naquele momento eu fiquei olhando para a cara dele esperando uma risada no fundo, uma pegadinha, ou talvez um exagero. Ele estava sério. Ele não estava brincando. Eu estava ferrada. Quis chorar, mas minha cabeça já doía demais. Eu precisava pensar com clareza naquela situação, era óbvio que tinham armado para mim. Eu nunca tinha visto cocaína na minha vida, quanto mais ter um comércio daquilo. E quanto às outras acusações? Homicídio qualificado? Eles acham que eu planejei matar meu tio? Formação de quadrilha? Mas se eu matei, eu matei ele sozinha, que merda que estava acontecendo? Tudo tinha sido pensado, o Mariano nunca q...

A Guerreira e o Rei

Era um baile de máscaras, onde todos deveriam esconder suas identidades e ser por um dia aquilo que sempre sonhou. O grande atrativo de um evento assim, é que talvez o objetivo é justamente o contrário, utilizando máscaras podemos ser nós mesmos, sem nos preocuparmos com julgamentos. A maioria dos meus amigos não vestiria necessariamente uma máscara, mas combinamos todos de usarmos fantasias que nos deixasse irreconhecíveis. Eu me vesti de guerreira, porque era mais ou menos assim que eu me identificava. Uma mulher, não mais menina, que vivia sozinha, independente, com algumas cicatrizes e que lutava por aquilo que acreditava. Era difícil encontrar uma armadura para alguém do meu sexo e do meu tamanho, foi quando eu descobri que as armaduras tinham de ser personalizadas, feitas individualmente para cada guerreiro. E assim resolvi desenhar algo para mim. Tentei fazer algo parecido com Xena e ao mesmo tempo com Lara Croft. Meu coração estava protegido com um corpete estilo Xena...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 4

Eu não estava prestando atenção no caminho. Aliás eu não conseguia prestar atenção em coisa alguma. Tudo o que estava passando na minha cabeça era o fato de que meu tio tinha levado facadas e estava morto. Eu não lembrava de ter usado a faca contra ele, eu só quebrei um vidro de coca em sua cabeça, certo?! O meu corpo todo tremia e as lágrimas caíam involuntariamente. Mike estava no banco de trás, mas lambendo minha cabeça compulsivamente numa tentativa de me tirar do transe. Eu repassava o momento várias vezes na minha cabeça e as lembranças já começavam a se confundir com meus sonhos. E se a Camila Ruim fosse a Camila Real? E se aquilo não tivesse sido um sonho, mas e se a minha mente tivesse apagado de minha memória aquele assassinato de maneira que então eu não me traumatizasse? Isso era biologicamente possível, já tinha estudado isso. De repente o carro parou. - Camila, você precisa descer do carro. Vem, você precisa se acalmar. Foi quando eu voltei a mim. Eu não conhecia aqu...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 3

Estava muito escuro e gelado. Sentia meus pés pisando no molhado, mas não havia  lugar seco. A água tinha uma coloração diferente, como se estivesse misturada com tinta, barro ou algo avermelhado. Era sangue. Saí correndo para procurar a saída ou simplesmente um chão seco. Onde eu estava? Os cômodos eram enormes, as entradas não tinham portas. Entrei num desses cômodos e percebi que tinha mais alguém ali. A “água” já não estava gelada, pois quanto mais eu me aproximava da pessoa, mais quente e viscosa ficava, como se estivesse me aproximando da fonte. A pessoa se agachou e fez um movimento com o braço como se estivesse apunhalando algo. Então eu ouvi o grito. Não tive tempo de pensar. O meu instinto me fez gritar em resposta, Foi nesse momento que pude ver o rosto da "pessoa" que se virou para me olhar. Por alguns instantes acreditei que estivesse em frente a um espelho, mas percebi que ela estava com uma faca na mão e eu não. Ela era eu. Ela tinha meu rosto, meu co...