Eu tentei dizer que a culpa não era minha. Mas eu não sabia exatamente pelo o que estavam me prendendo, seria o assassinato do meu tio? Seria pelo pacote de cocaína aos meus pés?
- Porque estão me prendendo? O que foi que eu fiz?
- Homicídio qualificado, formação de quadrilha, tráfico de drogas, furto e extorsão. Tem mais alguma coisa que eu esqueci , senhorita?
Naquele momento eu fiquei olhando para a cara dele esperando uma risada no fundo, uma pegadinha, ou talvez um exagero. Ele estava sério. Ele não estava brincando. Eu estava ferrada.
Quis chorar, mas minha cabeça já doía demais. Eu precisava pensar com clareza naquela situação, era óbvio que tinham armado para mim. Eu nunca tinha visto cocaína na minha vida, quanto mais ter um comércio daquilo. E quanto às outras acusações? Homicídio qualificado? Eles acham que eu planejei matar meu tio? Formação de quadrilha? Mas se eu matei, eu matei ele sozinha, que merda que estava acontecendo?
Tudo tinha sido pensado, o Mariano nunca quis me ajudar. Como poderia ele fazer aquilo comigo?
Fui algemada com a célebre frase: você tem o direito de ficar calada e tudo que disser poderá e será usado contra você.
Pensei: olha que beleza, já não bastasse tudo que eu não fiz.
Eu precisava de um advogado. Precisava falar com o Rodrigo, ele seria um conforto e também uma opção de advogado. Mas como eu explicaria aquilo tudo? Aliás, o que era aquilo tudo? Furto? Extorsão? Nem assassinato eu sabia como tinha caído no meu colo. Agora raciocinando com frieza, se eu tivesse enfiado a faca no meu tio, não deveria ter ficado repleta de sangue? Teriam eles provas para me prender de todas essas acusações?
Como uma resposta aos meus questionamentos, vi a polícia revistando todo o quarto. Embaixo da cama eles acharam uma mochila com dois celulares que eu não fazia ideia de quem eram, a carteira do Rodrigo e uma faca. A faca que eu usei para cortar a mortadela e que também cortou minha mão naquela noite terrível.
Quando ele levantou a faca, soltei um suspiro. Nem precisei falar nada para me entregar.
- Muito familiar, Senhorita? - disse rindo o policial, satisfeito com minha reação.
Tentei associar o Mariano ao assassinato, mas não via maneiras de encaixa-lo. Por qual motivo ele mataria meu tio? Eu nunca havia citado sequer uma situação de assédio que tivesse sofrido, e todas as vezes que o morto e meu ex se encontraram foi em clima fraternal, sem nenhuma discussão sequer.
Eles recolheram tudo que acreditavam servir como prova com suas luvas de CSI e ao término, fui empurrada para fora do quarto em direção ao camburão.
Ao caminhar percebi que meu corpo doía, minhas partes íntimas estavam como queimadas.
No primeiro passo fora da casa senti o vento no meu rosto e apenas o sutil toque do ar em movimento me fez gemer de dor. E em flashes fui lembrando do "suave" toque de Mariano. Ainda tinha um incomodo na garganta, mas o que mais doía era meu maxilar. Mais um motivo para eu não abrir minha boca.
Chegando no camburão pude me ver na janela do carro. Estava visivelmente deformada, mesmo de banho tomado, que não faço ideia de como aconteceu isso, roupas limpas e cabelo penteado, não conseguia me reconhecer. Meu lado direito estava extremamente inchado, mal conseguia abrir o olho.
Me empurraram para dentro do carro e não havia um pensamento que eu considerava decente a ponto de reverter aquela situação, decidi então apenas respirar, o que já me causava dor suficiente.
- Porque estão me prendendo? O que foi que eu fiz?
- Homicídio qualificado, formação de quadrilha, tráfico de drogas, furto e extorsão. Tem mais alguma coisa que eu esqueci , senhorita?
Naquele momento eu fiquei olhando para a cara dele esperando uma risada no fundo, uma pegadinha, ou talvez um exagero. Ele estava sério. Ele não estava brincando. Eu estava ferrada.
Quis chorar, mas minha cabeça já doía demais. Eu precisava pensar com clareza naquela situação, era óbvio que tinham armado para mim. Eu nunca tinha visto cocaína na minha vida, quanto mais ter um comércio daquilo. E quanto às outras acusações? Homicídio qualificado? Eles acham que eu planejei matar meu tio? Formação de quadrilha? Mas se eu matei, eu matei ele sozinha, que merda que estava acontecendo?
Tudo tinha sido pensado, o Mariano nunca quis me ajudar. Como poderia ele fazer aquilo comigo?
Fui algemada com a célebre frase: você tem o direito de ficar calada e tudo que disser poderá e será usado contra você.
Pensei: olha que beleza, já não bastasse tudo que eu não fiz.
Eu precisava de um advogado. Precisava falar com o Rodrigo, ele seria um conforto e também uma opção de advogado. Mas como eu explicaria aquilo tudo? Aliás, o que era aquilo tudo? Furto? Extorsão? Nem assassinato eu sabia como tinha caído no meu colo. Agora raciocinando com frieza, se eu tivesse enfiado a faca no meu tio, não deveria ter ficado repleta de sangue? Teriam eles provas para me prender de todas essas acusações?
Como uma resposta aos meus questionamentos, vi a polícia revistando todo o quarto. Embaixo da cama eles acharam uma mochila com dois celulares que eu não fazia ideia de quem eram, a carteira do Rodrigo e uma faca. A faca que eu usei para cortar a mortadela e que também cortou minha mão naquela noite terrível.
Quando ele levantou a faca, soltei um suspiro. Nem precisei falar nada para me entregar.
- Muito familiar, Senhorita? - disse rindo o policial, satisfeito com minha reação.
Tentei associar o Mariano ao assassinato, mas não via maneiras de encaixa-lo. Por qual motivo ele mataria meu tio? Eu nunca havia citado sequer uma situação de assédio que tivesse sofrido, e todas as vezes que o morto e meu ex se encontraram foi em clima fraternal, sem nenhuma discussão sequer.
Eles recolheram tudo que acreditavam servir como prova com suas luvas de CSI e ao término, fui empurrada para fora do quarto em direção ao camburão.
Ao caminhar percebi que meu corpo doía, minhas partes íntimas estavam como queimadas.
No primeiro passo fora da casa senti o vento no meu rosto e apenas o sutil toque do ar em movimento me fez gemer de dor. E em flashes fui lembrando do "suave" toque de Mariano. Ainda tinha um incomodo na garganta, mas o que mais doía era meu maxilar. Mais um motivo para eu não abrir minha boca.
Chegando no camburão pude me ver na janela do carro. Estava visivelmente deformada, mesmo de banho tomado, que não faço ideia de como aconteceu isso, roupas limpas e cabelo penteado, não conseguia me reconhecer. Meu lado direito estava extremamente inchado, mal conseguia abrir o olho.
Me empurraram para dentro do carro e não havia um pensamento que eu considerava decente a ponto de reverter aquela situação, decidi então apenas respirar, o que já me causava dor suficiente.
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