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A Guerreira e o Rei

Era um baile de máscaras, onde todos deveriam esconder suas identidades e ser por um dia aquilo que sempre sonhou. O grande atrativo de um evento assim, é que talvez o objetivo é justamente o contrário, utilizando máscaras podemos ser nós mesmos, sem nos preocuparmos com julgamentos. A maioria dos meus amigos não vestiria necessariamente uma máscara, mas combinamos todos de usarmos fantasias que nos deixasse irreconhecíveis. Eu me vesti de guerreira, porque era mais ou menos assim que eu me identificava. Uma mulher, não mais menina, que vivia sozinha, independente, com algumas cicatrizes e que lutava por aquilo que acreditava. Era difícil encontrar uma armadura para alguém do meu sexo e do meu tamanho, foi quando eu descobri que as armaduras tinham de ser personalizadas, feitas individualmente para cada guerreiro. E assim resolvi desenhar algo para mim. Tentei fazer algo parecido com Xena e ao mesmo tempo com Lara Croft. Meu coração estava protegido com um corpete estilo Xena...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 4

Eu não estava prestando atenção no caminho. Aliás eu não conseguia prestar atenção em coisa alguma. Tudo o que estava passando na minha cabeça era o fato de que meu tio tinha levado facadas e estava morto. Eu não lembrava de ter usado a faca contra ele, eu só quebrei um vidro de coca em sua cabeça, certo?! O meu corpo todo tremia e as lágrimas caíam involuntariamente. Mike estava no banco de trás, mas lambendo minha cabeça compulsivamente numa tentativa de me tirar do transe. Eu repassava o momento várias vezes na minha cabeça e as lembranças já começavam a se confundir com meus sonhos. E se a Camila Ruim fosse a Camila Real? E se aquilo não tivesse sido um sonho, mas e se a minha mente tivesse apagado de minha memória aquele assassinato de maneira que então eu não me traumatizasse? Isso era biologicamente possível, já tinha estudado isso. De repente o carro parou. - Camila, você precisa descer do carro. Vem, você precisa se acalmar. Foi quando eu voltei a mim. Eu não conhecia aqu...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 3

Estava muito escuro e gelado. Sentia meus pés pisando no molhado, mas não havia  lugar seco. A água tinha uma coloração diferente, como se estivesse misturada com tinta, barro ou algo avermelhado. Era sangue. Saí correndo para procurar a saída ou simplesmente um chão seco. Onde eu estava? Os cômodos eram enormes, as entradas não tinham portas. Entrei num desses cômodos e percebi que tinha mais alguém ali. A “água” já não estava gelada, pois quanto mais eu me aproximava da pessoa, mais quente e viscosa ficava, como se estivesse me aproximando da fonte. A pessoa se agachou e fez um movimento com o braço como se estivesse apunhalando algo. Então eu ouvi o grito. Não tive tempo de pensar. O meu instinto me fez gritar em resposta, Foi nesse momento que pude ver o rosto da "pessoa" que se virou para me olhar. Por alguns instantes acreditei que estivesse em frente a um espelho, mas percebi que ela estava com uma faca na mão e eu não. Ela era eu. Ela tinha meu rosto, meu co...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 2

- Camila, acorda Camila. – Não parecia que eu era a Camila que ele estava chamando, estava tão longe... - Amor, pelo amor de Deus responde! – senti um chacoalhão me tirar daquele mundo distante. Abri os olhos e pude ver os dele. Mal acordei e o Rodrigo já estava me sufocando com beijos e abraços. – Graças a Deus você acordou meu anjo! Quando abri a boca para falar senti o gosto amargo na boca e lembrei da mortadela e de tudo que tinha acontecido. Quase que instantaneamente comecei a tremer e a chorar. Me encolhi nos braços dele, a minha vontade era a de sumir do mundo, mas isso era impossível. -Fala para mim o que aconteceu? Por que sua mão está machucada? Por que você está assim? – Eu não conseguia responder, eu não queria acreditar que aquilo era verdade, ainda existia a chance do meu tio ter morrido, eu deixei ele respirando, mas e se ele morreu depois? E como eu iria falar que eu tinha tocado no pênis dele de uma forma involuntária? Eu não queria voltar para casa, eu não qu...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 1

O relógio ainda marcava 20:34, a hora insistia em não passar. Minha perna direita tremia num vício inconsciente, eu roía as cutículas da mão esquerda e a mão direita no mouse clicando ansiosamente no botão para atualizar a página. O Facebook era minha única esperança de passar o tempo naquela tarde fria, mas não estava funcionando. “Vou mandar mensagem pra Gess.” pensei. - Oi amiga! – respondeu Gess. - Oiiieeeee! Ain amiga ainda bem que você respondeu! – respondi aliviada. - O que aconteceu, Camila? - Eu acho que você já sabe... - Não vai me dizer que o seu tio..? - Nãoooo.Não ainda na verdade. Mas é relacionado a isso. Lembra sobre o que eu te falei do que eu tava pensando em fazer, mas por medo ainda não tinha feitoo? - Aaaaaah, lembrei! Não vai me dizer que ...? Nessa hora eu suspirei, o ar estava pesado pra mim. - Você sabe que ele está em casa,né?!- indaguei. - Ainda? - Pois é, e a convivência está cada vez pior. Ontem ele passou a mão na minha perna enq...

Lições de um jovem Rei

A minha história é sobre um encontro que tive há algum tempo, mas que preciso compartilhar devido ao grande impacto que teve na minha percepção de relacionamentos. Vou chamar o protagonista de "Rei Artur", porque superou minhas expectativas de um simples príncipe. Nos conhecemos através de um aplicativo e resolvemos nos encontrar num domingo, final de tarde, na Paulista. Era um dia frio e com chuva, já estava arrependida de ter aceitado esse "date", pois o tempo estava propício pra ficar em casa e ele não era de São Paulo, ou seja, não ia dar em nada. Logo de cara me surpreendi, ele era mais alto do que imaginava e tinha um sorriso pueril e fácil. Não tive dificuldade em me encantar, ele parava pra me ouvir, ria das minhas piadas e não paquerava outras garotas enquanto conversávamos (sim, infelizmente isso é bem comum). Depois de um tempo fomos para o Ibirapuera, onde sentamos e passamos horas conversando. Sim, apenas conversando. O que mais me impres...