- Camila, acorda Camila. – Não
parecia que eu era a Camila que ele estava chamando, estava tão longe...
- Amor, pelo amor de Deus
responde! – senti um chacoalhão me tirar daquele mundo distante.
Abri os olhos e pude ver os dele.
Mal acordei e o Rodrigo já estava me sufocando com beijos e abraços. – Graças a
Deus você acordou meu anjo! Quando abri a boca para falar senti o gosto amargo
na boca e lembrei da mortadela e de tudo que tinha acontecido. Quase que
instantaneamente comecei a tremer e a chorar. Me encolhi nos braços dele, a
minha vontade era a de sumir do mundo, mas isso era impossível.
-Fala para mim o que aconteceu?
Por que sua mão está machucada? Por que você está assim? – Eu não conseguia
responder, eu não queria acreditar que aquilo era verdade, ainda existia a
chance do meu tio ter morrido, eu deixei ele respirando, mas e se ele morreu
depois? E como eu iria falar que eu tinha tocado no pênis dele de uma forma
involuntária? Eu não queria voltar para casa, eu não queria ter que me
justificar. Ninguém ia acreditar em mim, ninguém!
-Dá o chá pra ela – disse o porteiro.
Foi então que percebi o que tinha a minha volta e onde realmente estava. Eu
estava dentro da guarita, deitada no colo do Rodrigo e envolta num cobertor
emprestado do próprio porteiro. Estava fazendo muito frio e eu tinha levado
muita chuva. Com a mão que não estava me segurando, ele levou a caneca de chá
pra minha boca. Eu me sentia fria, estava muito molhada ainda, aquela água
quente com gosto era um convite tentador. Conforme o líquido entrava no meu
corpo, eu sentia o frio acalmar, ainda que por uns instantes, mas era
reconfortante. Tomei tudo em menos de um minuto. Quando acabei percebi que
todos me olhavam assustados.
- To com frio – saiu como um
sussurro minha queixa.
-Vamos subir? – Ele perguntou com
os olhos preocupados. Assenti com a cabeça.
- Queria ir no banheiro.
- Vamos lá em cima mesmo, Cá.
- Disse já me pondo em pé e me puxando
delicadamente pelo braço. Assenti novamente com a cabeça.
Durante o percurso era inevitável
comparar o toque do meu amado com o toque daquele homem nojento. Eu sabia que
eu teria que tomar uma atitude antes que o pior acontecesse, se o meu tio não
tivesse morrido, é provável que aconteceria coisas parecidas novamente. Eu
tinha que dar um jeito de não voltar mais lá e de não associar a minha primeira
lembrança sexual a de um homem ao qual eu repudiava. O Rodrigo tinha que ser
meu primeiro homem. E tinha que ser hoje.
Eu estava num estado deplorável,
meus olhos estavam esbugalhados e parecia que eu tinha sido atropelada. O
cabelo estava emaranhado e restava saber se em algum momento que minha memória
tinha apagado, havia uma motivo pra eu estar daquele jeito.
- Como você me reconheceu
–perguntei olhando para o espelho do elevador.
- Me perguntei a mesma coisa –
Rimos juntos. – VocÊ foi atropelada?
Eu quis rir, mas toda vez que
minha mente focava no que tinha acontecido, eu me sentia mal, me angustiava, me
vinha na cabeça aquele momento horrível em que não conseguia me desvencilhar do
meu tio. Ele percebeu e me abraçou contra seu peito. Naquele momento eu quis
começar a seduzi-lo, fazer ele consumir o ato antes que qualquer outro pudesse
fazê-lo. Mas seria uma injustiça beijá-lo com uma boca azeda de vômito.
-Chegamos! – Disse ele dando
passagem para mim.
Meu corpo já estava estabilizado,
só sentia dor na mão ferida e as pernas estavam pesadas da corrida.
Quando Rodrigo abriu a porta do
apartamento e eu entrei, Mike o labrador, pulou em cima de mim, numa alegria
compulsiva e me derrubou como já era de costume fazer. Mas dessa vez, era como
se ele sentisse o que estava acontecendo e estava grato por eu estar ali. Eu
amava animais e o Mike já me amava também.
-Mikee! – Bradou Rodrigo
-Deixa ele amor- Mike já estava
mais calmo e se aconchegava no meu colo.
- Vamos Cá, levanta que você
precisa tomar um banho – Disse ele me levantando, o cachorro levantou-se
obrigado e resmungando.
Vai ser agora pensei. Vou fazer
com que ele me ajude a tomar banho. Ele é homem, não deve ser tão difícil. Para
falar a verdade, ele já tinha feito algumas tentativas nos nosso 5 meses de
namoro, mas eu nunca tinha me sentido pronta. Mas agora eu precisava estar.
Ele ligou o chuveiro para ir
esquentando o ambiente do banheiro que estava bem gelado. Era um banheiro
grande, tinha banheira e um espaço livre
amplo. Tampei o ralo da banheira para deixá-la encher.
- Quer tomar banho de banheira? –
Ele me perguntou sem acreditar no que via.
- Quero sim. A gente nunca fez
isso ... – quis insinuar o que eu queria, mas acho que ele não me levou a sério.
Abri minha mochila e peguei minha
escova e a pasta de dente, estava ansiosa por esse momento. Quando acabei senti
um prazer imensurável de frescor e limpeza. Fiquei encurvada sobre a pia por um
momento para sentir melhor aquela sensação, foi então que ele me abraçou por
trás e ficou assim por uns minutos.
Ficamos em silêncio até eu ter
coragem de levantar a cabeça e me olhar no espelho. Não poderia seduzi-lo nunca
naquele estado, meus olhos estavam fundos e ao mesmo tempo arregalados, minha pele de tão pálida poderia ser descrita
como verde e meus cabelos pareciam de um poodle abandonado.
-Acho que eu preciso me desvirar
do avesso - tentei uma piada
-Talvez contar o que aconteceu
faça você melhorar - disse ele me abraçando mais forte e dando uma fungada no
meu pescoço, não uma fungada provocativa, uma fungada de aconchego , de amor.
-Não consigo conversar com você
olhando pra essa pessoa que me encara no espelho, até eu tenho medo dela! - eu
não estava brincando dessa vez, eu não queria tentar seduzi-lo daquele jeito,
ele me merecia da maneira mais bonita que eu poderia ser.
-Podemos conversar depois do
banho então, não tem problema. Eu só quero que você fique bem e que saiba que
vai ficar tudo bem, eu to contigo certo?- naquele momento senti minha garganta
fechar de novo e meus lábios se comprimirem, logo em seguida veio um soluço e a
lembrança de tudo que aconteceu. Ele me virou e me abraçou de frente, fiquei
ali por uns 2 minutos, e decidi que deveria entrar embaixo daquele chuveiro
antes que outra crise me tomasse.
-Desculpa amor, eu prometo que
vou tentar me controlar. Me desvencilhei do seus braços e abri o chuveiro. Não
olhei pra trás, tirei minha roupa na frente dele e entrei no chuveiro, sem
pegar sabonete, nem xampu, nem nada. Eu só queria sentir o calor da agua no meu
corpo. Senti meu cabelo tomando uma forma quase normal e minha pele voltar a um
aspecto menos alienigena.
Estava perdida nessas sensações
quando uma mão um tanto fria e um tanto tremula tocou meu ombro, soltei um
"ah" de susto e me virei rapidamente.
-Você esqueceu o xampu, amor -
Ele me olhava tentando não olhar, seus olhos estavam quentes e sua boca se
apertava numa tentativa de evitar qualquer expressão que pudesse se denunciar.
Eu não tive dúvidas que agora era o momento. Sem pegar o xampu eu avancei
devagar em sua direção, ele não entendeu de primeira e ficou parado. Passei a
mão no seu cabelo e o beijei. Não foi um beijo feroz ou afobado. Foi sutil, mas
quente e que demonstrava todas as minhas intenções.
-Amor eu não to entendendo -
antes que ele terminasse a frase, outro beijo foi iniciado. Ele pos a mão na
minha cintura numa intenção sem vontade de me fazer parar, eu o beijei mais
forte em resposta a sua reação, então ele largou o xampu e me abraçou com a
outra mão.
Já tinhamos tido beijos
parecidos, mas eu nunca havia ficado sem roupa em nenhum deles. Eu não estava mais com medo, para falar a
verdade eu não sabia se conseguiria pensar em alguma coisa, estava absorta em
sensações que mal conseguiria descrever. Tudo era novo. No final do segundo beijo percebi que ter
aquela noite com o Rodrigo não seria apenas uma maneira de garantir que minha
primeira vez não fosse um trauma, mas seria mágico, da maneira que tinha que
ser.
A banheira estava quase cheia
nesse momento, foi quando o puxei para dentro. Ele desequilibrou e praticamente
mergulhou, ficando completamente ensopado. Em qualquer outra situação eu teria
ficado com medo de sua reação, ele não é do tipo que se joga em banheiras ainda
de roupa, ele é do tipo que tem um roupão pendurado na porta do banheiro e um
chinelo para usar durante o banho e outro pós banho. Eu simplesmente gargalhei
com a mesma ferocidade do meu choro um pouco antes, e não conseguia parar, eu
me encurvei e cai sentada tentando me controlar.
Primeiro ele fez cara de bravo,
mas isso só me fez rir ainda mais, ele
então como num gesto de rendição, sorriu e se deixou afundar na banheira. Ainda
sorrindo para mim, eu pude notar uma parte mais alta na sua calça, no lugar
onde fica o zíper e algumas coisas mais. Isso me fez parar de rir e lembrar que
o beijo antes disso estava muito bom e que talvez eu quisesse mais um. Fui em direção a ele e sentei sobre
a parte elevada, senti a rigidez do jeans e o tremor de algo ali embaixo, ele
parou de sorrir e com as mãos no meu quadril me puxou para si e me beijou de
uma forma nova, parecia estar sofrendo e ao mesmo tempo tendo a melhor sensação
da vida. Eu não estava diferente, percebi que fazia movimentos involuntários
com o quadril e que a mão do Rodrigo me ajudava direcionando essa rotação
insaciável.
Seus lábios deixaram os meus e
começaram um caminho partindo do pescoço. Enquanto me beijava ali, me levantou
e me fez sentar na borda da banheira. Minhas costas encostaram na parede fria e
soltei um leve gemido, ele então me beijou forte na boca e levantou, tirando a
blusa molhada com dificuldade e as calças. Fiquei sem reação por um tempo e
quando vi, ele já estava sem cueca. Eu nunca tinha visto um pênis, e aquele não
era qualquer, era o pênis da minha vida. Eu não sabia dizer se era grande, mas
pequeno não era a palavra a ser usada. Tive um pequeno momento de pânico
interno, pois não sabia o que fazer com aquilo, ou na verdade como fazer.
-Está tudo bem, linda? - Se você
não quiser continuar não tem problema.
-É só essa parede que está meio
gelada - menti.
-Vem aqui -Ele me pos em seu colo
e me levou até a cama. Com o corpo sobre mim ele perguntou - ta melhor agora?
Como eu poderia falar que não?
Ele estava com aquele corpo lindo que eu tanto amava sobre mim, seu peso me
pressionava sobre o colchão e era uma sensação boa, eu ainda não sabia o que
fazer com "aquilo", mas ele devia saber e eu estava curiosa para ver,
embora um pouco assustada ainda. Fiz q sim com a cabeça e resolvi derreter sob
ele. Ele percebeu e decidiu desfrutar do meu corpo.
Ele voltou a me beijar e quando
comecei a refazer os movimentos involuntarios, ele abandonou meus labios e foi
descendo. Ele parou nos meus seios beijando cada um delicadamente, a parte que
divide os dois e por último ele mamou por alguns segundos começando pelo
esquerdo e depois o direto. Enquanto lambia os meus seio, delicadamente ele
desceu a mão direita e começou a acariciar minha vagina. Era um movimento
delicado e ritmado, combinava com as rotações do meu quadril. Eu gemia e não
sabia exatamente o porque. Eu não sabia se deveria fazer alguma coisa ou deixar
que ele simplesmente fizesse o quisesse. A última opção me agradou e fiquei com
ela. De repente ele parou e me olhando começou a levantar, ele ia fazer alguma
coisa, pois tinha o olhar de necessidade de aprovação. E antes que eu pudesse
falar algo, ele abriu minhas duas pernas e mergulhou sobre o que há entre elas.
Não houve aviso prévio e não o culpo por isso, foi a melhor surpresa que já
tinha tido na vida. Seus lábios eram
molhados e quentes, seus beijos tinham amor e desejo. Sua língua sabia para onde ir.
Eu segurei seus cabelos e fiquei
olhando aquela cena. Eu ficava mais quente a cada movimento de sua boca. Ele
revezada entre mordidas nos meus lábios, beijos na virilha e mergulhos
circulares de sua língua no meu clitoris. Sim, eu descobri onde ele ficava.
Rodrigo me mostrou onde ficava. Era uma prazer agonizante, era insaciável e me
deixava totalmente vulnerável.
E aos poucos ele foi aumentando a
velocidade e a força que usava na língua, ele estava com a boca inteira nela e
a língua numa dança frenética com meu clitoris. Eu estava quase arrancando seus
cabelos quando fui invadida por um prazer em forma de onda, eu caí deitada
novamente, encurvando minhas costas para que aumentasse a superfície de contato
entre minha vagina e a boca do Rodrigo. Eu tremi pela ultima vez, puxei ele de
volta pra cima e pude sentir o gosto acido que ainda tinha na sua boca.
Ele também tremia, mas era de
desejo, seria muito egoista da minha parte se fechasse os olhos e caísse no
sono, mesmo parecendo que eu tinha perdido todas as forças e o instinto me
chamasse pra isso. Mesmo com medo de fazer algo errado, eu estendi minha mão e
acariciei seu pênis. Ele fechou os olhos de prazer, então eu continuei. Já
tinha assistido alguns filmes pornôs, não podia ser tão diferente. Resolvi
mostrar para ele que eu queria que ele fosse ate o fim. Puxei seu pênis de
forme que encostasse na minha vagina ainda molhada. Ele entendeu.
-Amor... - ele estava em agonia e
mesmo assim estava pedindo permissão. Seus olhos pediam e ao mesmo tempo
mostravam-se compreensíveis caso houvesse uma resposta negativa.
-Eu quero você - respondi.
-Mas você já me tem!
-Eu quero que você me tenha - ele
entendeu a firmeza da minha voz.
-Eu não tenho camisinha aqui, vou
descer e comprar então.
-Não, Rodrigo. Eu quero agora! -
foi quase uma ordem e sem questionar ele deu fim a própria aflição.
Com as mãos trêmulas ele
direcionou o pênis e a cada movimento de tentativa de penetração, ele me
olhava, sempre preocupado se estava doendo, se queria que parasse.
-Pode ir amor, se doer eu falo.
Ele acenou com a cabeça de cima, e com a cabeça de baixo ele forçou de tal
maneira que conseguiu penetrar. Eu gemi de dor, mas ao mesmo tempo era bom.
Quando mirei seu rosto pude ver além da preocupação, o prazer que ele estava
sentindo, eu então sorri e resolvi me concentrar nisso, na felicidade dele e
ignorei minha dor. Mas depois a dor
acabou. Eu fui querendo que ele entrasse mais fundo, eu desejava que ele usasse
um pouco mais de força, meu corpo voltou para o estado automatico, eu parei de
pensar e só sentia os movimentos. Rodrigo já estava suando e os movimentos já eram mais rápidos que antes.
Ninguem falava nada. Ele olhava pra mim e eu olhava pra ele.
A visão que eu tinha dele nesse
momento era mais que perfeita. Ele tinha braços fortes e pernas musculosas que
eu nunca havia reparado, a sua barriga não tinha gominhos, mas era reta e tinha
dois sinais de covas entrando na virilha. Seu bumbum contraía conforme os
movimentos, e eu podia ver claramente seu penis entrando e saindo de mim. Eu
mal podia acreditar no que estava acontecendo, eu ia gozar de novo! Eu pus
minhas maos no bumbum dele e controlei os movimentos. Ele entendeu e se deixou
levar. Quando começou eu percebi que esse seria melhor, porque eu já perdi as
forças durante o prazer. Perdi o controle dos movimentos, mas eles continuaram.
O Rodrigo continuou.
-Você está me apertando - disse
ele aumentando ainda mais os movimentos.
E quando eu estava no meio do
clímax, Rodrigo começou o dele. Ele fechou os olhos com força e senti suas
pernas tremerem. Ele despencou sobre mim e ficamos os dois ofegantes por uns
dois minutos assim. Ele em cima de mim sem forças para levantar, eu embaixo
dele sem forças pra reclamar.
De repente ele saiu de cima de
mim, puxou o travesseiro e a mim para perto dele. Me pôs sobre seu peito e me
abraçou.
-Meu maior medo era que você
tivesse uma primeira vez sem prazer, e de cara você já gozou duas vezes!
-Eu não entendi se você está se
elogiando ou me elogiando - rimos e ele me beijou cheio de amor.
-Te elogiando na verdade. É muito
dificil uma mulher sentir prazer apenas na penetração, por isso comecei com o
oral, para garantir que você gostasse. Mas você me surpreendeu. Primeiro por
ter gozado na segunda vez e segundo pelo pompoarismo.
-Pompoarismo? O que é isso?
-Quando você usa os músculos da
vagina pra me apertar. Tem mulheres que fazem curso disso pra aprender. Essa realmente
foi sua primeira vez?
-Como assim Rodrigo? - Minha
expressão foi de alegria para dor. Como ele podia duvidar de mim?
-Não, eu não estou bravo. É que
nem sempre as garotas gostam de dizer que não são mais virgens, até porque o
parceiro delas podem querer força-las a fazer se elas não forem. Você lembra o
caso da.. - Nesse momento eu me desvencilhei dele e o primeiro impulso foi o de
querer ir embora. Eu estava brava e magoada, como ele poderia achar que eu
estava mentindo para ele? Eu me levantei da cama com os olhos cheios de
lágrimas e fui procurar minha roupa, mas então eu lembrei que não poderia
voltar para casa. Comecei a revirar minhas coisas para achar o celular.
-Não amor, espera, desculpa.
Calma. Eu não quis te magoar, eu só achei que pudesse existir uma possiblidade.
- Eu não sabia o que fazer, eu não podia voltar para casa, já estava tarde para
eu sair dali e procurar outro lugar. Eu tinha que perdoa-lo, ou pelo menos
fingir que estava tudo bem.
Ele ainda pelado me abraçava e
dizia que me amava, eu estava parada no meio da sala, olhando para o Mike que
estava no sofá. Parecia que ele me entendia melhor do que eu mesma. Me deixei
abraçar então, deixando as lágrimas cairem. O namorado arrependido me pôs no
colo e me levou para cama novamente.
Mesmo cansada e com sono, não
conseguia dormir e estando ainda no colo do Rodrigo, ele também não podia pegar
no sono.
-Não foi só o que eu disse né?! -
perguntou finalmente, passando a mão nos meus cabelos.
-Não - respondi sem precisar
perguntar sobre a pergunta.
-Talvez se você me contar eu
posso te ajudar. Além de namorado, sou advogado também - ele riu, mas meu corpo
enrijeceu e antes que ele percebesse soltei uma resposta sem pensar.
-Foi só mais uma briga com meus
pais de novo - ele já estava habituado com a briga entre meus pais e eu, mas
nunca cheguei perto do estado emocional que estava naquele dia.
-Como assim mais uma briga
Camila? Você briga com seus pais desde o começo e você nunca chegou em casa
nesse estado! - ele me virou de forma que pudesse ver meu rosto - O que
aconteceu? A verdade, eu quero agora!
-Eu não posso mais voltar para
casa - e isso era verdade. Tão verdade que tudo veio a tona. Eu queria saber o
estado do meu tio para aliviar o peso que carregava, mas o que ele poderia
pensar de mim se soubesse o que tinha feito e porque nunca tinha contado que
meu tio me assediava. No mínimo ia achar que eu gostava, ou que tinha rabo
preso. Ele sempre me contava dos casos que pegava, e um deles a menina tinha
engravidado do tio e queria fazer com que o atual namorado assumisse a criança.
-Eu sempre te disse que você
poderia ficar aqui. Porque não mora comigo? Você já é maior de idade, a gente
se gosta. Agora estamos sexualmente resolvidos também. - No final dessa frase
ele deu uma risadinha e me beijou suavemente no nariz. E pela primeira vez eu
cogitei aceitar a proposta. Eu o amava, ele me amava. Eu amava o Mike, o Mike
me amava. A gente se dava bem na cama, eu passaria o dia na faculdade, a noite
faríamos amor e dormiríamos. Parecia perfeito.
-Posso vir mesmo? - Perguntei
soando como uma criança meiga. Ele me olhou da forma que apenas ele conseguia,
expressando o amor apenas pelos olhos. Eu amava aqueles olhos. Todos diziam que
eram parecidos com o do Luan Santana, um pouco tortos, mas não. Eles eram
lindos e únicos. E meus.
Nos beijamos novamente e quando
dei conta de mim, já havíamos adormecido.
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