A minha história é sobre um encontro que tive há algum tempo, mas que preciso compartilhar devido ao grande impacto que teve na minha percepção de relacionamentos.
Vou chamar o protagonista de "Rei Artur", porque superou minhas expectativas de um simples príncipe.
Nos conhecemos através de um aplicativo e resolvemos nos encontrar num domingo, final de tarde, na Paulista. Era um dia frio e com chuva, já estava arrependida de ter aceitado esse "date", pois o tempo estava propício pra ficar em casa e ele não era de São Paulo, ou seja, não ia dar em nada.
Logo de cara me surpreendi, ele era mais alto do que imaginava e tinha um sorriso pueril e fácil. Não tive dificuldade em me encantar, ele parava pra me ouvir, ria das minhas piadas e não paquerava outras garotas enquanto conversávamos (sim, infelizmente isso é bem comum).
Depois de um tempo fomos para o Ibirapuera, onde sentamos e passamos horas conversando. Sim, apenas conversando.
O que mais me impressionou foi o conteúdo da conversa. Eu nunca tinha conhecido alguém tão apaixonado pela família. Não eram palavras vazias, eras situações reais contadas por olhos cheio de amor.
Ouvi sobre a facilidade de uma sobrinha com tecnologias e a de outro sobrinho com demonstração de afeto. Sobre uma viagem que fez sozinho com a mãe para a Califórnia e de como isso teria ajudado na relação entre os dois.
Por mais de 4 horas nós basicamente só falamos de amor. Amor entre familia, amor pelo trabalho, amor pelos bichinhos de estimação e o que a falta de amor pode influenciar na personalidade de uma criança.
Não falamos sobre ex namorados, não falamos sobre política ou sobre religião.
Apenas enquanto estávamos indo embora, ele me abraçou e me beijou. Suas mãos ficaram na minha cintura o tempo inteiro e quando finalmente nos olhamos nos olhos, ele me disse o quanto tinha gostado de estar comigo.
E eu me senti incrível, porque uma pessoa incrível estava elogiando a minha presença.
Fomos de Uber até o metrô e em todo o trajeto ele segurou minha mão. No metrô não foi diferente, ele me abraçava, beijava minha mão e repetia o quanto queria poder estar mais um tempo comigo.
A gente só se separou porque ele tinha um jantar em família e eu já sabia o quanto isso era importante para ele. Quando pegamos novamente o Uber, eu desceria na minha casa primeiro e ele seguiria para o jantar. Ao estacionar para que eu descesse, ele pediu ao motorista para aguardar que iria se despedir de mim. Ele desceu do carro, me abraçou e me beijou. Novamente me disse o quanto tinha gostado de me conhecer e que gostaria de ter mais tempo comigo.
Nos despedimos e ele seguiu para o jantar. Eu achava, por toda a experiência que tive até hoje, que não nos falariamos mais, contudo ele continuou a me contar sobre o jantar e me enviou fotos abraçado com o famoso sobrinho carinhoso.
Ele iria embora no outro dia, me pediu para nos vermos após seu jantar, mas já estava tarde e eu trabalharia no dia seguinte. Ofereci-me para almoçarmos juntos e assim combinamos para as 12 horas. Porém, a lei de Murphy cumpriu seu papel e as 11:20 fui chamada para uma reunião. Perguntei se podíamos adiar o almoço para as 13h, mas ficaria tarde para ele pegar o avião.
Fiquei chateada, pois já tinha criado a expectativa de vê-lo novamente, mas disse que tudo bem e agradeci pelo final de semana. Ele então me retruca e pergunta se ele poderia passar no meu trabalho para se despedir. Eu digo que sim e não acredito que ele estava me propondo aquilo.
Já tive alguns namorados e não me lembro de alguma situação que tenha me feito sentir tão querida na vida.
E ele veio, com aquele sorriso lindo e os braços abertos me esperando. Me contou sobre o "eu te amo" que tinha recebido do sobrinho carinhoso e sobre querer ter tido a oportunidade de passar mais um tempo comigo.
A minha reunião ainda estava acontecendo e eu tinha que voltar, ele também tinha que ir. Foram menos de dez minutos e nos despedimos novamente.
Enquanto ele estava no avião ainda me mandou uma foto com uma frase super carinhosa, daquelas que aquecem o coração da gente. E eu só pude agradecer por ter tido o privilégio de conhecer o "Rei Artur".
Não, nós não estamos juntos e nem combinamos nada do tipo. A distância entre nós dois é enorme e a nossa maturidade em olhar essa situação é maior ainda.
O que eu queria demonstrar com essa história é que eu me senti extremamente especial sem precisar que me levassem em restaurantes caros ou que me dessem presentes.
Eu também entendi que só pode dar amor quem sabe o que é amor. Portanto, meus amores, deem o máximo de amor para os seus pimpolhos, assim mais pessoas conseguirão se sentir importantes como eu me senti.
Percebi que não é necessário años de namoro para demonstração de carinho e afeto.
Demonstrar o que sente não faz de um homem menos homem.
Entendi também que quando a pessoa se importa, ela faz o que pode para vc entender isso, não é preciso implorar atenção.
E o mais importante de tudo, pude renovar o sentimento de que a família está em primeiro lugar.
Que todos nós possamos nos inspirar no "Rei Artur", sem se importar com tempo ou duração. Algumas horas já são suficientes para deixarmos nossa marca nas pessoas!
Quarta-feira, 08 de agosto de 2018 - 02:20 am
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