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SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 4

Eu não estava prestando atenção no caminho. Aliás eu não conseguia prestar atenção em coisa alguma. Tudo o que estava passando na minha cabeça era o fato de que meu tio tinha levado facadas e estava morto. Eu não lembrava de ter usado a faca contra ele, eu só quebrei um vidro de coca em sua cabeça, certo?! O meu corpo todo tremia e as lágrimas caíam involuntariamente. Mike estava no banco de trás, mas lambendo minha cabeça compulsivamente numa tentativa de me tirar do transe. Eu repassava o momento várias vezes na minha cabeça e as lembranças já começavam a se confundir com meus sonhos. E se a Camila Ruim fosse a Camila Real? E se aquilo não tivesse sido um sonho, mas e se a minha mente tivesse apagado de minha memória aquele assassinato de maneira que então eu não me traumatizasse? Isso era biologicamente possível, já tinha estudado isso. De repente o carro parou. - Camila, você precisa descer do carro. Vem, você precisa se acalmar. Foi quando eu voltei a mim. Eu não conhecia aqu...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 3

Estava muito escuro e gelado. Sentia meus pés pisando no molhado, mas não havia  lugar seco. A água tinha uma coloração diferente, como se estivesse misturada com tinta, barro ou algo avermelhado. Era sangue. Saí correndo para procurar a saída ou simplesmente um chão seco. Onde eu estava? Os cômodos eram enormes, as entradas não tinham portas. Entrei num desses cômodos e percebi que tinha mais alguém ali. A “água” já não estava gelada, pois quanto mais eu me aproximava da pessoa, mais quente e viscosa ficava, como se estivesse me aproximando da fonte. A pessoa se agachou e fez um movimento com o braço como se estivesse apunhalando algo. Então eu ouvi o grito. Não tive tempo de pensar. O meu instinto me fez gritar em resposta, Foi nesse momento que pude ver o rosto da "pessoa" que se virou para me olhar. Por alguns instantes acreditei que estivesse em frente a um espelho, mas percebi que ela estava com uma faca na mão e eu não. Ela era eu. Ela tinha meu rosto, meu co...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 2

- Camila, acorda Camila. – Não parecia que eu era a Camila que ele estava chamando, estava tão longe... - Amor, pelo amor de Deus responde! – senti um chacoalhão me tirar daquele mundo distante. Abri os olhos e pude ver os dele. Mal acordei e o Rodrigo já estava me sufocando com beijos e abraços. – Graças a Deus você acordou meu anjo! Quando abri a boca para falar senti o gosto amargo na boca e lembrei da mortadela e de tudo que tinha acontecido. Quase que instantaneamente comecei a tremer e a chorar. Me encolhi nos braços dele, a minha vontade era a de sumir do mundo, mas isso era impossível. -Fala para mim o que aconteceu? Por que sua mão está machucada? Por que você está assim? – Eu não conseguia responder, eu não queria acreditar que aquilo era verdade, ainda existia a chance do meu tio ter morrido, eu deixei ele respirando, mas e se ele morreu depois? E como eu iria falar que eu tinha tocado no pênis dele de uma forma involuntária? Eu não queria voltar para casa, eu não qu...

SEM ESCOLHAS - CAPÍTULO 1

O relógio ainda marcava 20:34, a hora insistia em não passar. Minha perna direita tremia num vício inconsciente, eu roía as cutículas da mão esquerda e a mão direita no mouse clicando ansiosamente no botão para atualizar a página. O Facebook era minha única esperança de passar o tempo naquela tarde fria, mas não estava funcionando. “Vou mandar mensagem pra Gess.” pensei. - Oi amiga! – respondeu Gess. - Oiiieeeee! Ain amiga ainda bem que você respondeu! – respondi aliviada. - O que aconteceu, Camila? - Eu acho que você já sabe... - Não vai me dizer que o seu tio..? - Nãoooo.Não ainda na verdade. Mas é relacionado a isso. Lembra sobre o que eu te falei do que eu tava pensando em fazer, mas por medo ainda não tinha feitoo? - Aaaaaah, lembrei! Não vai me dizer que ...? Nessa hora eu suspirei, o ar estava pesado pra mim. - Você sabe que ele está em casa,né?!- indaguei. - Ainda? - Pois é, e a convivência está cada vez pior. Ontem ele passou a mão na minha perna enq...

Lições de um jovem Rei

A minha história é sobre um encontro que tive há algum tempo, mas que preciso compartilhar devido ao grande impacto que teve na minha percepção de relacionamentos. Vou chamar o protagonista de "Rei Artur", porque superou minhas expectativas de um simples príncipe. Nos conhecemos através de um aplicativo e resolvemos nos encontrar num domingo, final de tarde, na Paulista. Era um dia frio e com chuva, já estava arrependida de ter aceitado esse "date", pois o tempo estava propício pra ficar em casa e ele não era de São Paulo, ou seja, não ia dar em nada. Logo de cara me surpreendi, ele era mais alto do que imaginava e tinha um sorriso pueril e fácil. Não tive dificuldade em me encantar, ele parava pra me ouvir, ria das minhas piadas e não paquerava outras garotas enquanto conversávamos (sim, infelizmente isso é bem comum). Depois de um tempo fomos para o Ibirapuera, onde sentamos e passamos horas conversando. Sim, apenas conversando. O que mais me impres...